...Às vezes me lembro dele.
Sem rancor, sem saudade, sem tristeza.
Sem nenhum sentimento especial a não ser a certeza de que,
afinal o tempo passou.
Nunca mais o vi, depois que foi embora.
Nunca nos escrevemos.
Não havia mesmo o que dizer.
Ou havia? Ah, como não sei responder as minhas próprias perguntas!
É possível que, no fundo, sempre restem algumas coisas para serem ditas.
É possível também que o afastamento total só aconteça
quando não mais restam essas coisas e a gente continua a buscar,
a investigar e principalmente a fingir.
Fingir que encontra.
Acho que, se tornasse a vê-lo, custaria a reconhecê-lo...
(Caio F. Abreu)

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