Sou os brinquedos que
brinquei, as gírias que usei, os nervosos e felicidades que já passei. Sou
minha praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, sou os amores que vivi, as
conversas sérias que tive com meu pai: Eu sou o que me faz lembrar!!!
Sou a saudade que
sinto, sou um sonho desfeito ao acaso, sou a infância que vivi, sou a dor de
não ter dado certo, sou o sorriso por tudo que conquistei, sou a emoção de um
trecho de livro, da cena de filme que me arrancou lágrimas: Eu sou o que me faz
chorar!!!
Sou a raiva de não
ter alcançado, sou a impotência diante das injustiças que não posso mudar, sou
o desprezo pelo que os outros mentem, sou o desapontamento com o governo, o
ódio que isso tudo dá. Sou o que eu remo, sou o que eu não desisto, sou o que
eu luto, sou a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta ao
ver um animal abandonado: Eu sou o que me corrói!!!
Eu sou o que eu luto,
o que consigo gerar através de minhas verdades, sou os direitos que tenho e os
deveres a que me obrigo, sou a estrada por onde corro, sou o que ensino e,
sobretudo, o que aprendo: Eu sou o que eu pleiteio!!!
Eu não sou da forma
como me visto, não sou da forma como me comporto, não sou o que eu como, muito
menos o que eu bebo. Não sou o que aparento ser: EU SOU O QUE NINGUÉM VÊ!!!
Clarice Lispector
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