"…
uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se
deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer.
Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a
frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a
criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei
olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando
você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu
quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que
você não venha, esperarei quanto tempo for preciso."
(Clarice Lispector – Uma aprendizagem…)
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